TAIPEI CYCLE 2018 PRE-MEDIA SHOW

A Bikes World foi convidada a estar presente em Taiwan, em Taipei, para a apresentação oficial aos media de uma das maiores feiras de bicicletas do mundo, a Taipei Cycle.

Para a edição de 2018 a data foi alterada para ter início a 31 de outubro e fim a 3 de novembro, com o intuito de se enquadrar melhor com as datas de lançamento das maiores marcas. Segundo a organização, estão abertos a sugestões e até dispostos a mudar a data novamente caso encontrem uma melhor.

O convite surgiu através de uma empresa chamada TAITRA, apoiada pelo governo de Taiwan e que tem como missão divulgar não só a feira, como o modo como Taiwan se enquadra na indústria das bicicletas, sendo este país um dos maiores produtores de bicicletas e componentes de bicicletas do mundo.

Fomos levados a conhecer diversas fábricas e estivemos presentes numa conferência de imprensa onde foram abordados vários temas, entre eles como será o futuro das fábricas em Taiwan.

De modo a tornar este texto interessante, vamos acrescentar algo que os leitores possam não saber. Para começar, fomos levados a vários tipos de fábricas com todo o tipo de dimensões e ficámos com a clara ideia que produzem tudo o que quiserem, com todos os tipos de qualidade.

Ou seja, por exemplo, na fábrica da Velo, uma reputada fábrica de selins situada em Taichung, é produzida grande parte dos selins que utilizamos. Esta fábrica tem literalmente o mercado mundial da produção de selins na mão e aqui são produzidos os selins de marca própria, assim como foi super interessante ver o processo de produção de um selim do início ao fim. Desde o modo como os rails são cortados até à escolha de materiais, aos departamentos de desenvolvimento até às linhas de montagem. Curiosamente aqui são produzidos os selins de entrada de gama e gama alta. Os de gama média são feitos na China por uma fábrica que também lhes pertence.

Segundo a Velo, são poucas as marcas que não produzem os seus selins aqui, sendo uma delas a Selle Itália. Os selins de todas as grandes marcas são produzidos aqui, mas as diferenças entre a sua produção são significativas. Por exemplo, para produzir um selim de entrada de gama, os trabalhadores estão X tempo com cada um e têm três funções. Já num de topo, cada trabalhador tem apenas uma função e passa muito mais tempo a terminá-la, assim como o cuidado com os acabamentos é bastante mais refinado. As principais marcas têm também registadas patentes de construção e tipos de materiais exclusivos.

Outra fábrica que visitámos foi a KMC, o prestigiado produtor de correntes. Ficámos bastante satisfeitos em saber que já estão desenvolvidas e à venda correntes específicas para e-Bikes, nas quais a principal diferença assenta num aumento do diâmetro dos pinos. Todas são compatíveis com os principais fabricantes, como Bosch, Shimano, Yamaha, etc.

Em relação à indústria em si, foi interessante ver que produzem a qualidade que quiserem. Muitas vezes temos a ideia errada DE que os produtos provenientes da China e Taiwan são de fraca qualidade, mas a verdade é que existe de tudo. E são capazes de fazer literalmente tudo.

Mais numa perspetiva de curiosidade, enquanto consumidores somos bastante exigentes com qualquer produto (e temos razão pois estamos a pagar por ele). Para os fabricantes, uma pequena alteração num produto significa uma imensa alteração na operação de produção, com variações gigantes em termos dos trabalhadores e linhas de montagem. Até isto foi bastante interessante de ver, pois têm departamentos específicos para este tipo de alterações. O mercado está em constante evolução. Por exemplo, para estes produtores o “boom” das e-Bikes está a alterar tudo o que tem sido produzido até agora. De repente estão a fabricar produtos bastante diferentes do que estão acostumados.

Estivemos também numa fábrica de espigões de selim telescópicos, a KS. Curiosamente as fábricas que os produzem são as mesmas que elaboram os mecanismos de amortecimento das cadeiras de escritório. A complexidade de produção de um produto destes é algo que não imaginávamos devido à grande quantidade de componentes e também diâmetros e cursos existentes no mercado.

 

FUTURO DA INDÚSTRIA

No que toca a inovação, todas as fábricas visitadas estão muito atentas à evolução da indústria, não só na parte dos componentes, como na evolução das máquinas e modos de produção. Estamos neste momento no que se chama Indústria 4.0, onde o fabrico de todos os componentes é bastante automatizado, mas ainda requer bastante mão-de-obra humana.

Estimam que, em 2022, a indústria chegue às “smart factories”, ou fábricas inteligentes, onde praticamente serão capazes de produzir tudo sem necessidade de mão-de-obra humana. Por um lado, isto representará desemprego em massa, mas por outro os consumidores terão acesso a uma velocidade de desenvolvimento de produtos muito maior e, consequentemente, os preços irão baixar.

Ninguém sabe como será o futuro, seja em termos de produtos ou de produção, mas seja ele qual for, uma coisa é certa: a indústria em Taiwan estará preparada para qualquer tipo de mudança.

 

Artigos relacionados

Benefícios de andar de Bicicleta

Além de ser um dos meios de transporte mais tradicionais do mundo, andar de bicicleta tem também uma série de vantagens para a saúde.

Qual o País com mais Bicicletas no Mundo?

As bicicletas têm uma importância cada vez maior na vida das pessoas. Mas… Qual será o país com mais bicicletas no Mundo? Veja o Top 10!

MAAT já tem um novo Viaduto para Peões e Bicicletas

Foi inaugurado um novo Viaduto para Peões e Bicicletas, entre o museu e o Largo Marquês de Angeja, em Belém.